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QUALIDADE DE VIDA: COMO CHEGA O PACIENTE AO PROGRAMA DE GERENCIAMENTO DE CONDIÇÕES CRÔNICAS?
Ramos, RAT; Cardoso, SAM; Brandina, E; Camacho, PPG.

RESUMO

Introdução: A qualidade de vida é a sensação que o paciente tem sobre o impacto da doença em sua capacidade de viver plenamente. Aferí-la periodicamente é aferir também a evolução do tratamento. A maior perda de qualidade de vida relaciona-se com as  doenças crônicas, vindo daí a importância de sua mensuração nos programas de gerenciamento de crônicos.

Objetivo
: Aferir qual é o nível de qualidade de vida dos pacientes iniciados em programas de gerenciamento de condições crônicas.

Metodologia
: Inquérito de amostra significativa dos clientes atendidos através do questionário WHOQOL-Bref da Organização Mundial de Saúde. 

Resultados
: A amostra constituiu-se de 61% de mulheres e 39% de homens. A média de idade dos 389 pacientes era de 59,7 anos. Os resultados de cada uma das 26 perguntas do questionário foram descritos em gráficos onde se verifica o percentual de cada resposta. As perguntas eram divididas em 4 domínios, que receberam as seguintes pontuações numa escala de 0 a 100: saúde física 44, psicológico 50, relações sociais 69 e meio ambiente 56.

Conclusões
: A aferição da qualidade de vida foi importante pois despertou na equipe a consciência de que a atuação não deve estar somente focada na saúde física do cliente, mas deve voltar-se também a outros aspectos para promover o alcance da máxima qualidade de vida possível em cada caso.


Ramos, RAT – Médico Cirurgião Geral formado pela SANTA CASA de São Paulo, com especialização em Administração de Negócios pelo MACKENZIE, diretor da Athon Group e atua em assistência domiciliar há 9 anos. (ricardo@athongroup.com.br)
Cardoso, SAM – Assistente Social formada pela PUC-SP, especialização em saúde pública pela UNAERP, experiência em atendimento domiciliar e ambulatorial a pacientes HIV positivos na prefeitura de SP há 9 anos. (sueli@athongroup.com.br)
Brandina, E – Médico pediatra formado pela SANTA CASA de São Paulo, especialista em cardiologia pediátrica pela SANTA CASA de SP, atua em assistência domiciliar há 5 anos.  (brandina@athongroup.com.br)
Camacho, PPG – Enfermeiro formado pela faculdade UNINOVE, também com formação em fisioterapia pela faculdade UNIMAR, especialização em ortopedia fisioterápica, aprimoramento em geriatria fisioterápica e quimioterapia de enfermagem e  atuação em assistência domiciliar há 9 anos. (pedro@athongroup.com.br)

INTRODUÇÃO

Embora não haja um consenso a respeito do conceito de “qualidade de vida”, existem três aspectos fundamentais: subjetividade, multi-dimensionalidade e presença de dimensões positivas e negativas.
Baseados nesse tripé, a Organização Mundial da Saúde define qualidade de vida pela “percepção que o indivíduo tem de sua posição na vida dentro do contexto da cultura e sistema de valores nos quais ele vive e em relação aos seus objetivos, expectativas, padrões e preocupações”1.

Quando relacionamos a qualidade de vida com a saúde, podemos dizer que ela é uma avaliação subjetiva do paciente sobre qual foi o impacto trazido por seu atual estado de saúde na sua capacidade de viver plenamente ampliam ainda mais essa idéia apontando para outras condições que podem afetar a percepção do indivíduo, seus sentimentos e comportamentos diários2.

Há diversos instrumentos já validados cientificamente que possibilitam a aferição da qualidade de vida relacionada à saúde.

A partir do conhecimento de que as doenças crônicas são as que maior impacto produzem a longo prazo na qualidade de vida, os autores decidiram mensurar a qualidade de vida dos pacientes ingressos no programa de gerenciamento de condições crônicas3.

OBJETIVO

Aferir qual é o nível de qualidade de vida dos pacientes ingressos em programa de gerenciamento de condições crônicas no período de março a julho de 2006.

METODOLOGIA

O instrumento utilizado para medir a qualidade de vida nesses pacientes foi proposto e validado pela Organização Mundial da Saúde (O.M.S.) e traduzido pelo Centro WHOQOL do Brasil.
Foi utilizada a versão WHOQOL-Bref4 com 26 perguntas, nas quais são mensurados os indicadores em quatro domínios:

  1. físico (dor, energia, sono),
  2. psicológico (sentimentos, pensamentos, auto-estima, imagem corporal),
  3. relacionamento social (relações pessoais, suporte, apoio social, atividade sexual),
  4. meio ambiente (ambiente físico, segurança, recursos financeiros, acesso a informações e serviços de saúde, transporte).

Esse instrumento de pesquisa foi aplicado em pacientes crônicos, atendidos em programa de gerenciamento de condições crônicas residentes nas cidades de São Paulo, Campinas, Mogi das Cruzes, Poá, Suzano, Ferraz de Vasconcelos e Arujá (cidades do Estado de São Paulo).
Um mesmo pesquisador questionou todos os pacientes. Foram consideradas apenas as respostas de pacientes em condições de respondê-lo por telefone. Todo o cuidado possível foi tomado para que o paciente compreendesse adequadamente as questões, evitando interferências nas respostas.
Cada questionário foi respondido pelo próprio paciente e de uma única vez dentro da primeira semana do programa de gerenciamento de condições crônicas.

RESULTADOS

Dos 389 pacientes do assistidos pelo programa de gerenciamento de condições crônicas, selecionou-se aleatoriamente uma amostra significativa de 85 para o inquérito.

A amostra de pacientes assistidos contém 61% de mulheres e 39% de homens. A média de idade foi de 59,7 anos.


O resultados das 26 perguntas estão demonstrados nos gráficos abaixo.


Os pacientes que acham que a dor impede que realizem suas atividades de vida diária correspondem a 46% da amostra.

Cinquenta e quatro por cento das pessoas entrevistadas acreditam que necessitam de tratamento médico para manter sua vida, enquanto que somente 17% não acreditam nesta necessidade.
Quanto ao aproveitamento da vida por parte dos pacientes, 29% das pessoas acreditam ter, enquanto 49% deles dizem não aproveitar a vida como deveriam.

Quanto ao sentido de viver, 81% concordam que existe e querem continuar a viver, mesmo que com problemas de saúde.

Quando perguntados sobre o grau de concentração que conseguem ter em suas atividades do dia-a-dia, 41% disseram ter boa concentração.

A segurança de vida é um dado relevante e 41% disseram ter segurança para viver.

Quanto a sensação de que o ambiente físico em que vivem ser saudável para a sua vida, 76% acreditam ter um bom ambiente físico.

Trinta e seis por cento dos entrevistadas dizem ter energia suficiente para as atividades do dia-a-dia.

Cinquenta e um por cento dos pacientes aceitam bem sua aparência física, enquanto 17% não.

Quarenta e quatro por cento das pessoas dizem não ter dinheiro suficiente para as suas necessidades.

Quanto às informações necessárias para o seu dia-a-dia, somente 34% dizem ter plenamente.

Quarenta e um por cento dos entrevistados não praticam atividades de lazer.

Quanto à capacidade de locomoção independente do paciente 44% responderam como sendo normal.

Quarenta e nove por cento dos pacientes apresentam distúrbios do sono e não se sentem satisfeitos.

Trinta e nove por cento dos indivíduos estão satisfeitos com o desempenho de atividades. O mesmo percentual aplica-se aos que estão insatisfeitos.

Setenta e um por cento dos pacientes referem não ter capacidade para o trabalho.

Quanto à satisfação consigo mesmos, 68% responderam positivamente.

Oitenta e trës por cento dos pacientes estão satisfeitos com seus relacionamentos pessoais.

Quanto à satisfação sexual 53% estão satisfeitos, lembrando que a maioria deles não mais realiza atos sexuais.

Noventa e um por cento dos indivíduos estão satisfeitos com o apoio que recebem de amigos e familiares.

A condição de moradia é um item de satisfação para 86% destas pessoas.
Muitos têm acesso fácil ao sistema de saúde e 76% dos pacientes estão satisfeitos.
Setenta e nove por cento dos pacientes têm acesso fácil a meios de transporte para suas atividades.
Quando perguntados sobre a freqüência de sentimentos negativos no dia-a-dia, 24% responderam que tinham estes sentimentos.

Apurando os resultados nos 4 domínios do questionário, o gráfico abaixo demonstra as notas finais em cada um dos domínios, considerando uma escala de 0 a 100 pontos onde 100 é a qualidade de vida máxima:


Nas duas perguntas restantes que complementam o WHOQOL-Bref, verifica-se a percepção geral subjetiva da qualidade de vida e o grau de satisfação com a saúde.



CONCLUSÃO

Analisando-se os resultados gerais obtidos, verificamos que o pior domínio foi o da saúde física, notadamente para o qual o programa originalmente se destina.

No entanto, ainda há muito a melhorar nos demais domínios – psicológico, relações sociais e meio ambiente. De posse destas informações, a equipe multiprofissional envolvida na assistência a esses pacientes estará consciente que a sua ação não deve limitar-se unicamente à saúde corporal para conseguir melhorar a qualidade de vida do paciente como um todo. Abrem-se portanto novas possibilidades de interação da equipe com o paciente, sua família e amigos além de seu ambiente.
Nesta população, seriam prioritárias, por exemplo:

  1. estímulo às atividades de lazer, valorizando a vida,
  2. terapia ocupacional, visando a realização de atividades laborais úteis e adequadas à capacidade de cada cliente,
  3. melhorar a aceitação do paciente, reduzindo o seu desconforto em relação à dependência de tratamentos médicos,
  4. melhor as condições do sono,
  5. adaptar o paciente para que ele não fique tão dependente para as atividades rotineiras da vida diária e locomoção.

Quando a atuação da equipe de saúde ocorre no domicílio, as oportunidades de identificar melhorias e a capacidade de interação equipe-paciente se potencializam, tornando-se um diferencial único na assistência ao doente crônico.
Cabe ressaltar que os 85 indivíduos participantes do trabalho representam uma amostra do total de pacientes. Alguns indivíduos não foram aproveitados para este estudo por estarem incapazes de responder às perguntas do questionário, levando os autores a crer que provavelmente a comunidade assistida pelo programa de gerenciamento de doentes crônicos possui uma qualidade de vida ainda menor do que o apresentado neste estudo.
A equipe pretende realizar aferições periódicas da qualidade de vida nesta população incorporando esta medida aos demais indicadores clínicos. Desta forma será possível envidar esforços de forma programada e dirigida, com melhores resultados.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE - WHOQOL GROUP. Measuring Quality of Life. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/media/68.pdf. Acesso em 31/07/06.
2. UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL. Desenvolvimento do WHOQOL - OMS - Versão em Português. Disponível em: http://www.ufrgs.br/psiq/whoqol1.html. Acesso em 24/07/06.
3. NATIONAL CENTER FOR CHRONIC DISEASE PREVENTION AND HEALTH PROMOTION (USA). Health-Related Quality Reveals Full Impact of Chronic Disease. Disponível em: http://www.cdc.gov/nccdphp/publications/CDNR/pdf/
CDNRwinter03.pdf
. Acesso em 31/07/06.
4. ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE SAÚDE - WHOQOL GROUP. Introduction, Administration, Scoring and Generic Version of the Assessment. Disponível em: http://www.who.int/mental_health/media/en/76.pdf. Acesso em 31/07/06.